29.11.04

esse post aí embaixo foi o fundo do poço. parece que nessa época do ano eu sempre entro em crise. ano passado foi em outubro, até raspei a cabeça na época. esse ano vai ficar marcado pela pior sexta-feira de toda minha vida. eu fiquei nervoso, triste, melancólico, foi tudo uma merda em todas as 24 horas do dia. procurei refúgio nos amigos, mas parece que todo mundo tava chorando por um problema diferente no msn. TODOS com quem eu falei me reportaram algum tipo de mágoa. e isso não ajudou a melhorar minha condiçào nem um poquinho. mas ninguém me entede mesmo, estou reclamando de quê?

aí veio o sábado glorioso. dormi pouco de um dia pro outro. a mãe me alugando o dia inteiro pra eu ajudar ela a fazer uma apresentação no powerpoint, fiquei o dia inteiro fazendo isso. e passei no vestibular também. fiz a prova da unama exatamente 8 dias atrás, pra publicidade, e passei. tô dentro. tenho o que fazer ano que vem.
na hora do listão, eu estava no escritório da mamãe lá na seduc, tentando ajudá-la com o roteiro da apresentação. foi o vestibular mais estranho que eu já fiz. eu não estudei nada, fiquei mais nervoso que o normal pelo resultado, passei, comemorei, não bebi, e soube do resultado dentro de um carro na augusto montenegro com a mamãe e mais 3 pessoas que não são relacionadas diretamente à mim (duas nem me conheciam até então). a ficha só caiu bem depois.

bom, acho que agora estou no caminho certo. depois de tanta análise pra saber o que eu quero da vida, finalmente um spot de luz pairou sobre mim. comunicação deve ser a minha área de verdade, não informática. sempre odiei números. espero corresponder às minhas expectativas.

e hoje foi o dia perfeito. espero não chegar no apogeu muito cedo. estou um pouco traumatizado ainda.

The Cardigans - Iron Man

Postado por fael às 2:55 AM |

27.11.04

súbitos ataques de tristeza. nervosismo. as mãos tremem, as orelhas esquentam. vontade de chorar. ansiedade. melancolia. músicas tristes (só na cabeça).

no meio das crises eu sempre me pergunto "porquê eu estou fazendo isso?", tento olhar pra mim mesmo em terceira pessoa. vejo um marmanjo de um metro e oitenta chorando feito uma criacinha. com medo. com vergonha. eu mesmo mando eu ir à merda. me escondo do meu lado crítico e choro mais um pouco. minha razão fulmina minhas emoções e o choro pára. instável. incapaz de responder à qualquer expectativa. perdedor. desistente. louco. tudo errado. reprovado.

crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise. crise.

estou em vias de enlouquecer. se eu mergulhar mais profundamente no nada que me circula, eu danço. se coisas ruins acontecerem, eu transbordo. se me tratarem mal, eu me culpo. se eu receber uma crítica, eu me destruo. o mundo é raso demais. me prometeram coisas tão bonitas. eu cresci, ainda não vi nenhuma delas. se vi, foi tão rápido que eu nem percebi o que era. a memória vai mal, falando nisso. já fazem anos que eu procuro me lembrar, que eu exercito e não consigo. não sei o que eu fiz na terça-feira até hoje. não sei o que eu fiz em janeiro ou fevereiro. só as coisas grandes grudam, os detalhes desaparecem. lições valiosas, eu perdi todas. esqueci.

eu tenho prazer no disconexo. é um refúgio. é quando eu canso do real, do concreto. quando eu vou pra onde eu quiser, sem as minhas pernas. a música ajuda. os desenhos ajudam. se joga, cai.

sonhos estranhos ultimamente. sendo observado fazendo coisas feias, erradas. sendo reprovado por isso. retaliado. punido. acordo já com a ânsia do que nem aconteceu. e ela perdura. o dia todo, praticamente. e não tem jeito. eu não sei falar, só escrever. eu não sei interpretar, só viver. esqueci como se aprende. come beterraba, cenoura, repolho, couve, soja, tomate, cebola. gostoso, gostoso. faz bem? cheiro de biscoito doce, de leite mel e aveia. queria não estar aqui.

eu quero fugir.

The Flaming Lips - Buggin'

Postado por fael às 2:15 AM |

26.11.04

5:30 da manhã. aconteceu muita coisa hoje. a ansiedade quase me comeu vivo. não consegui trabalhar direito. não consegui pensar direito. aquela sensação etérea me perseguiu o dia inteiro. na hora que eu estava correndo pra pegar o ônibus foi quando eu senti. eu saí por alguns instantes da minha realidade. me senti um observador e não um ator. eu sinto isso de vez em quando. é como se eu saísse do meu corpo em plena consciência e lucidez, tudo fica pesado, o tempo fica mais lento. é como seu eu fosse algo além de um corpo somente. como se o eu de verdade fosse ago mais frágil e insubstancial se descolando do meu eu físico. eu senti isso, e não foi a primeira vez, nem a única nesse dia.
tinha parado de tomar a medicação, a fluoxetina. mas ontem eu fiquei tão arrasado que voltei a tomar hoje. ninguém sabe, ninguém se importa. e ninguém nunca se importará. eu sou só. sempre fui e sempre serei. raffael is not sharing. há muitas coisas que eu sei, que eu passo, que eu sinto, que eu penso, que ninguém sabe. eu coleciono segredinhos. coleciono minhas opiniões distorcidas. as coisas que eu escrevo aqui não são nem um quinto do que se passa na minha cabeça. essa cabeça doente.

fiz o tal vestibular da unama pra publicidade, estou esperando o resultado. minha barriga voltou a crescer. talvez seja o excesso de frituras. preciso fazer exercícios. fechar a boca. e as manchas na minha pele aumentaram. não tenho dinheiro pra comprar o remédio. vou esperar as manchas aumentarem ao máximo pra eu ficar de uma cor só. briguei com o ser namoratício ontem. resolvemos nossa vida hoje, de forma positiva. chorei muito de ontem pra hoje. estou tendo uma crise criativa. não sei o que fazer. a melancolia tá voltando. eu preciso viajar. preciso sair daqui por uns tempos, nem que sejam 3 dias. dinheiro sempre é problema. porque eu não nasci rico, burro e feliz?

essa vida suga.

Beck - Sissyneck

Postado por fael às 7:07 AM |

17.11.04

segundo a ciência, nós, seres humanos (homo sapiens), temos nossa consciência centralizada em um órgão localizado dentro de nossa caixa craniana. o cérebro é o órgão mais importante do corpo. é dividido em duas partes: a esquerda, responsável pelo raciocínio lógico, e a direita, responsável, entre outras coisas, pelo nosso dom maior: a imaginação. todo homem é dotado dela. alguns a utilizam de forma mais intensa que outros, mas todo a usam. o tempo todo.
uma tela em branco. uma folha limpa com finas linhas azul-claras esperando para serem preenchidas. não há fronteiras, bordas, grades, paredes, ou qualquer outro tipo de contenção. um íntimo mundo livre dentro de um público mundo cheio de regras. qual a criança que nunca se perguntou porque tinha que acordar cedo todo dia e ir à escola, ao invés de poder livremente brincar com sua criatividade? é difícil aceitar sair de um mundo cheio de liberdade, que é o limbo que nos encontramos antes da existência, e cair num mundo cheio de regras, de leis naturais, prender-se à um corpo material e precisar lutar para continuar (institivamente) vivendo. eu até hoje não aceito. e entendo porque tantas vezes quis voltar àquele limbo. pior choque que a existência é a descoberta de regras ainda mais detalhadas sobre como se portar nela, como agir em todas as situações possíveis e tornar-se um profissional nisso. quando morremos, todos somos profissionais em existir, em viver. mas isso não é bonito. nós nos conformamos com a ordem das coisas e esquecemos a liberdade que ainda reside dentro de nós. isso é, pelo menos aos meus olhos, algo terrível. uma degeneração. uma traição à verdadeira essência humana.
é simplesmente inacreditável pensar que algo físico, feito de matéria, algo que poderia ser uma pedra ou um copo plástico, possa ser responsável por carregar algo tão divino quanto a consciência do ser. eu me impressiono toda vez que penso sobre isso.
mas será verdade? não será a vida apenas um sonho, um quimerismo induzido, ou simplesmente um nada? será a consciência humana tão infalível assim?
odeio ficar me perguntando. queria ter respostas para todas as perguntas que me fuzilam todo dia antes de dormir.
boa noite.

A Camp - Algebra

Postado por fael às 2:27 AM |

7.11.04

como todos devem saber, sábado agora (ontem) foi minha estréia como DJ no café com arte, na tradicional festa quinzenal do daçum se rasgum.
agradecimentos ao damaso e ao gustavo por essa oportunidade de ouro.
eis a setlist de tudo o que eu toquei:


1. Interpol - Obstacle 1 (4:11)
2. Muse - Tsp (3:29)
3. Weezer - Photograph (2:24)
4. Kings of Leon - Red Morning Light (3:03)
5. Ryan Adams - This Is It (3:21)
6. Doves - Pounding (4:45)
7. Franz Ferdinand - Van Tango (3:24)
8. Mooney Suzuki - Oh No (2:44)
9. Morrissey - Alma Matters (4:48)
10. Franz Ferdinand - Michael (3:21)
11. Kings of Leon - California Waiting (3:32)
12. Pedro The Lion - Never Leave A Job Half Done (3:11)
13. 5,6,7,8's - (I'm Sorry Mama) I'm A Wild One (2:18)
14. Le Tigre - Deceptacon (3:04)
15. Death Cab for Cutie - This charming man (2:14)
16. Interpol - PDA (4:59)
17. Grandaddy - Summer Here Kids (3:36)
18. Jet - Get Me Outta Here (2:56)
19. Supergrass - Grace (2:30)
20. Fountains of Wayne - Mexican Wine (3:22)
21. The Decemberists - Billy Liar (4:08)
22. Chicks on Speed - We Don't Play Guitars (4:23)
23. Superchunk - Good Dreams (3:02)
24. Cake - Comfort Eagle (3:40)
25. The Thrills - Saturday Night (2:32)
26. Grandaddy - A.M. 180 (3:20)
27. The Strokes - you talk way too much (3:06)
28. The Flaming Lips - Do You Realize? (3:32)
29. Björk - Army Of Me (3:54)
30. Muse - Stockholm Syndrome (4:58)
31. The Flaming Lips - Race For The Prize (4:08)
32. Le Tigre - TGIF (3:18)
33. CanseiDeSerSexy - odio odio odio sorry c (2:50)
34. Pavement - Shady Lane (3:51)
35. Björk - Pluto (3:19)
36. Pedro The Lion - Simple Economics (4:21)
37. Weezer - Pink Triangle (3:58)
38. Pixies - Broken Face (1:30)
39. Garbage - Silence Is Golden (3:50)
40. Hefner - The King of Summer (3:05)
41. The Raveonettes - Heartbreak Stroll (2:26)
42. Weezer - Undone (the sweater song) (5:04)
43. Radiohead - Electioneering (3:51)
44. Radiohead - Black star (4:07)
45. Sonic Youth - Dirty boots (5:29)
46. Los Hermanos - O pouco que sobrou (3:03)

Postado por fael às 11:45 PM |

acabou de passar na tevê cultura o documentário paraense "invisíveis prazeres cotidianos", dirigido por jorane castro, onde ela pinta belém através do olhar de 6 blogueiros, sendo que um deles é esse que vos escreve, dono deste simpático domínio azul. eu tinha outra idéia desse documentário antes de vê-lo na telinha. aliás, não tinha idéia nenhuma de como ia ficar depois da edição. e eu fui surpreendido.

o documentário, no final, mostra a impressionante convergência dos pontos de vista de pessoas que apesar de se conhecerem (algumas), não combinaram nenhuma conclusão. olhares bloguísticos sobre a cidade de belém. e os blogueiros vêem, pasmem, poesia.

embora mal cuidada e praticamente afundada em lixo, fedor, urubus, mau gosto arquitetônico e porcaria cutural, belém é uma cidade muito boa pra ser viver. as pessoas daqui, embora muitas não sejam educadas, nem limpas ou instruídas ou cultas, são pessoas que tem o coração aberto, franqueza de espírito e caráter, e o melhor de tudo: simplicidade. eu realmente não me sinto bem em belém agora, porque estou precisando crescer em uma série de sentidos, seja culturalmente, intelectualmente, ou mesmo espiritualmente, e preciso amadurecer. estou numa fase crucial pra determinar quem eu serei mais tarde e como será minha vida quando eu for uma pessoa estável. eu sei, tenho certeza absoluta disso, que não conseguirei atingir nenhum dos meus objetivos aqui em belém. mas quando os tiver atingido, quando tiver experimentado tudo o que eu relamente quero e preciso experimentar mundo afora, belém vai ser o lugar ideal pra um descanso. querendo ou não, é o meu lar. é o lugar onde eu nasci, cresci, e provavelmente, onde eu morrerei. por isso eu reforço minha opinião de que essa cidade é um caso de amor e ódio para todos os seus habitantes.
por isso belém é poética. por isso belém é nostálgica. é por isso que essa cidade encanta.

(mas de uma coisa eu tenho certeza: esse blog é meu verdadeiro lar, e daqui eu nunca vou sair. nem que me expulsem.)

Morrissey - Alma Matters

Postado por fael às 10:42 PM |

3.11.04

faz tempo que eu não venho aqui.
deu saudade do que já foi esse lugar um dia.
sinto muito por tudo o que aconteceu e vocês souberam ou não.
voltarei a escrever em breve. só parei pra tomar um fôlego. agora meus pulmões estão cheios.

Postado por fael às 8:15 PM |


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