31.12.04
eu não gosto do igual. tenho fobia a rotina. sou inimigo do normal.
as pessoas me lêem como revoltado. acham que eu luto contra tudo e contra todos pra preservar meu ego e manter a vida ideal que eu tanto prego. eu, eu, eu. sou melhor que todos, entendo mais de tudo. pretensão, insanidade. revolta.
não é bem por aí.
é apenas o que eu acredito. de que vale um homem que não luta por seus ideais? talvez o mundo não mude por minha causa. mas talvez mude. talvez as pessoas aceitem melhor a diferença ao se chocarem com um estereótipo radical dela (e eu interpreto isso tão bem). eu sou diferente. todo mundo é. eu sei lidar com as diferenças, eu tolero. eu passo isso adiante, é minha função. é a função que todos exercem, mas eu faço isso conscientemente. eu sei que posso ser ouvido um dia, que eu vou mudar o mundo de alguma forma e fazer toda a dor e sofrimento da minha existência válida. e nesse dia eu morrerei. sócrates morreu, platão morreu, o sidharta morreu, ghandi morreu, jesus morreu. o raffael ainda vive. você que está lendo ainda vive. porque não usar um pouco disso pra fazer algo? porque não?
eu amo. amo estar vivo, amo o mundo, as pessoas, as coisas vivas e as que não vivem. o equlíbrio do mundo sempre me fascinou. a ordem a partir do caos é a beleza que atravesa a percepção sensorial e nos deixa atônitos dentro de nós mesmos, porque nos faz refletir sobre o nosso própro mundo (o dentro de nós) em algo parecido com uma analogia. e não existe nada feio, porque tudo se insere no que chamamos de mundo. e ele é perfeito e equilibrado, último e impossível. eu queria que todos se sentissem tão maravilhados quanto eu me sinto em ver os altos e baixos da vida, a perfeita harmonia dos dias tristes e vazios com os dias cheios e alegres. ninguém sai perdendo, nunca. desde quando o tempo começou a correr pra frente, nós só estamos ganhando e progredindo.
eu não escrevo pra conformar ninguém sobre nada. eu só escrevo porque infelizmente sou um espectador disso tudo. eu me observo, a mim e a vocês todos. minha vida é apreciar, tão somente quanto a vida de um peixe é nadar.
só não me entenda mal. eu me frustro, me revolto, me indgno, me enojo. mas isso nada tem a ver com ninguém. são coisas minhas e dizem respeito somente a mim. quem vive aqui (desse lado) sou eu. se eu entro em conflito com você, é apenas pra eu mudar, e de quebra ajudar você a fazer o mesmo. eu nunca vou querer seu mal, apenas estou querendo o meu bem. e o ponto de equilíbrio, a harmonia desses interesses é a cruz dos nossos caminhos. eu tenho consciência disso, você tem?
feliz 2005.
Postado por fael às 4:44 AM |
27.12.04
meu dia madre tereza de calcutá:
saí de casa umas quize pras seis. a chuva já queria descer pra sabotar minha caminhada até a casa do acacinho, onde eu ele e yuri tirariamos fotos com a máquina nova da luma. despretensioso de fazer dessa segunda-feira um dia memorável, caminhei até a rui barbosa, e me escondi da chuva um tempinho na padaria camões. caminhei mais um pouco até a saída do cesupa e fiquei no vão de uma garagem de uma casa ali próximo.
olhando o movimento, me senti um pouco entediado e comecei a bocejar. foi aí que avirada do dia aconteceu. um dos flanelinhas daquele perímetro se escondeu da chuva no mesmo buraco onde eu estava, e eu comecei a puxar assunto. perguntei a quanto tempo ele trabalhava ali, quanto ele tirava por mês, se ele tinha família, etc. ele me falou que tinha uma filha, que estava se separando da mulher, que queria voltar a estudar. aí eu dei corda. perguntei se ele tinha algum sonho. ele me falou que gostava de desenhar, que lia hq's tipo dc e marvel, e começou a me contar do projeto dele.
a família desse cara é toda de origem humilde, moram na invasão do paar, e são umbandistas. ele me falou que queria escrever um livro sobre a umbanda, contando a história de divindades, heróis e encantados com ilustrações. "cara, um flanelinha com um projeto desses não pode ser qualquer um", eu pensei. vi potencial nele, e queria ajudá-lo de alguma forma. falei um pouco do que eu sei sobre o mercado de ilustradores de belém, disse a ele que ele tinha um bom projeto, que podia dar certo, mas que ele deveria voltar a estudar. nessa hora, um professor do cesupa entrou no buraco pra se proteger, e acabou ouvindo nosso papo. disse que era professor de comunicação, que está se formando agora em história com ênfase em antropologia, e que sua tese é sobre lendas, encantamentos e divindades afro-brasileiras, ou seja, o tcc do cara era sobre umbanda.
nessa hora o flanelinha foi atender um carro que chegava. conversei com o tal professor, ele me disse que leciona no cesupa, na unama, e estuda na federal. falei por alto do projeto do flanela, e ele demonstrou interesse. quando o cara voltou, o professor ofereceu a ele uma oportunidade de estudo através de uma amiga dele em um colégio público nas redondezas, o barão do rio branco. disse que o apresentaria pro salomão laredo, pra trabalhar o projeto e que apoiaria o cara. eu indiretamente ajudei o cara.
e isso, até hoje, nunca tinha acontecido comigo. vou dormir feliz.
Postado por fael às 9:17 PM |
20.12.04
vocês sabiam que o david bazan, vocalista do pedrothe lion, é evangélico, tem braços mecânicos, mora num trailer em south lake city, gosta de comer cereais e dorme de olho aberto?
o orkut é a melhor fonte de informação inútil do mundo.
Fiona Apple - Paper Bag
Postado por fael às 12:42 AM |
9.12.04
carta para minha afilhada:
belém, 9 de dezembro de 2004.
clarinha, se você estiver lendo isso é porque já está madura o suficiente pra entender tudo o que está escrito aqui. como não sei se um dia vou ter filhos, concentrarei meus esforços pra te fazer uma pessoa pensante, questionadora e notável. acho que a essa altura da tua vida, já deves ter percebido o quanto és amada. não faço a mínima idéia agora de como vais te comportar, até porque eu me proíbo te te idealizar (mas não consigo, acho que isso é humanamente impossível). quero que tu usufruas o máximo da tua vida e liberdade, filhota. e esse é o desejo da tua mãe também.
na vida, ana clara, existem dois tipos de pessoas: os acomodados e os sonhadores. ainda sou muito jovem pra dizer isso, mas eu reconheço em mim essa característica, a de sonhar. e tua mãe é igual. um dia vais reconhecer instataneamente quem é acomodado ou sonhador. mas isso é natural. basta saber que eles existem e vais saber diferenciá-los.
bom, porque eu estou dizendo isso pra ti agora? na verdade, a minha intenção é te incentivar, te incitar a ir atrás de tudo que tu realmente queres. durante o nosso amadurecimento (isso não é uma regra, mas geralmente ocorre), nós nos sentimos perdidos, sem saber quem nós somos na nossa rede social e qual a nossa função nesse planeta. é nessa hora que a pessoa determina se vai ser um sonhador ou um acomodado. quero te ajudar de todas as formas possíveis na tua busca por ti mesma, pra que tu sejas alguém com conteúdo, com interesses sólidos e úteis, com curiosidade filosófica e principalmente com sabedoria (coisa que ainda me falta nesse momento). não quero que te feches num casulo comodista e passes o resto da vida ignorando a maravilha que é o mundo porque sentes medo de lutar pelos teus sonhos. e eu vou respeitar isso (já respeito, desde agora), qualquer que seja o teu sonho, qualquer mesmo. e vou te ajudar a alcançá-los da forma que eu puder. não vou te criticar pelas tuas atitudes, pelos meios que tu vais desenvolver pra chegar onde tu queres. mas vou te mostrar as coisas como elas são, vou te explicar como funciona tudo, e vou tentar de toda forma saciar tua sede pelos porquês. eu tive isso por um tempo limitado, e sei o quanto é bom nós termos dúvidas e encontrarmos respostas lógicas e claras para as coisas que nos perturbam. e eu te prometo que é isso que eu vou te dar, além do meu amor incondicional e da minha promessa de te fazer feliz, custe o que custar.
te amo, pequena. e só o fato de tu existires já me faz feliz.
do teu tio raffa.
Postado por fael às 11:55 PM |