25.1.05
hoje eu fui tirar sangue pra fazer uns exames. pela primeira vez na minha vida vou fazer o teste de hiv. não estou apreensivo nem nada, embora saiba que qualquer ser humano que nasça está inserido em um grupo de risco. eu quero doar sangue esse ano. assim que os exames saírem vou lá no hemopa me cadastrar como doador. eu aho que sou tipo "o rh -". se tivesse banco de esperma aqui no estado, eu doaria também. vou doar meus órgãos todos quando morrer. doar minhas córneas, que nunca tiveram problema algum. doaria até meu cérebro, se já fosse possível doar. estou mais que ciente que, nesse caso, o que importa não é a carne, mas sim a vida.
a carne é podre, feia. ela envelhece, enrigece, falece. sim, é incrível que tenhamos um sistema biológico tão complexo e funcional. mas ele não é nem um pouco nobre. pessoalmente, não me sinto agradável pensando em carne e corpo. sinto asco dessas coisas, do suor, do fedor, do sebo, das enzimas e dos barulhos flatulentos. éca.
e esse nojo todo só cresce. eu parei de ingerir carne de animais. adotei o vegetarianismo, até porque não posso simplesmente parar de comer e me alimentar de luz. ainda tenho um corpo físico e minha "anima" ainda está dentro dele (eu acho). certo que ainda me alimento de leite e derivados, mas até meu organismo desacostumar vai demorar um pouco. também sei que estou lutando contra um instinto natural, mas qual é o homem que não faz isso de uma forma ou de outra? nossa psiquê é o eterno conflito entre a razão e a emoção, entre o lógico e o biológico. e nesse momento eu quero ser a outra coisa que não é carne. quero ser abstrato. ser livre. ser imaginário. e não ser um passarinho idiota como as pessoas falam. ser imaginário é muito mais nobre e bonito e simbólico que ser uma dessas aves bobocas. detesto pássaros. "ai, quero ser livre como um pássaro (mãos juntas ao centro do peito)... é tão lindo...", ah, vá catar coquinho.
sei que estou sendo radical demais também, mas isso faz parte de um ajuste. meu objetivo é o equilíbrio sempre, mas pra sintonizar corretamente, eu preciso experimentar, rodar o tunning até encontrar a faixa correta pra mim.
e eu estou querendo escrever um livro. estou pensand seriamente sobre isso. um livro sobre nada, igual às bobagens que escrevo aqui, só que mais bem elaborado, claro.
que tal essa?
Ozma - Lightyears will Burn
Postado por fael às 1:44 PM |
7.1.05
acho que estou enchatecendo de novo.
tenho um medo tão grande de crescer. não consigo ver isso como algo bom, porque quando eu era menor, só via adultos reclamando da vida, do estresse no trabalho, da falta de dinheiro, do amor. não havia um só adulto que se divertisse sendo adulto.
sabe, das minhas observações e anotações (pfff, como se eu fizesse alguma) eu tiro sempre lições simples, chatas mas muito verdadeiras. uma delas, a que eu vou aplicar nesse post, é que a vida é feita de caminhos, e o homem de dúvidas. como meu prisma é sempre negativista, cheguei à conclusão de que na vida não há acertos. todas as decisões que você toma durante sua vida inteira são erradas, porque você sempre perde algo de alguma forma. assim, não perdeeeeeer do tipo "oh meu deus, nada dá certo na minha vida", mas você perde as outras opções. perde a chace de ser astronauta, se decidir ser escritor. perde a chance de experimentar um sorvete de pêssego se pede um de chocolate. e por aí vai. claro, tudo isso é absolutamente normal, não somos onipresentes nem imortais pra fazer tudo e experimentar o mundo inteiro em uma só vida. mas experimentar sempre foi e acho que sempre será uma palavrinha que me encanta. experimentar pra mim é quase sinônimo de viver. e o problema de ficar adulto é justamente esse: a gente começa a parar de experimentar. ficamos indiferentes ao novo, caretões, as pessoas começam a não se interessar por nós, começamos a viver aquela vidinha de família e nos trancamos no nosso mundinho "escala de cinza 8 bits".
eu tenho muita vontade de ter uma família, me unir a alguém que eu ame, ter casa, carro e dívidas a pagar. mas tenho medo disso tudo, medo da coisa ficar séria demais e eu perder meu humor, perder o prazer de viver. perder a vida. é meio caminho pra morte ficar assim. se encher de responsabilidades sem nenhum motivo. se tornar um ancião com 30 anos de idade.
*ah, faz favor. a juventude está no espírito, não na carne.
Postado por fael às 9:09 PM |