28.3.05
está chovendo agora, enquanto eu estou escrevendo. eu parei de assistir tevê, abri a janela e olhei o céu. a cidade está coberta por nuvens. é como se fosse uma noite vermelha, ou terracota, no tom correto. não dá pra ver um pedacinho só do céu. pelo menos não da janela do meu quarto. e a chuva já dura uns 10 minutos. ela é soprada gentilmente nas copas das árvores e nos telhados vizinhos, fazendo um som característico, mas muito mais suave. é como se fosse um van gogh em tons pastéis. e nada mais faz barulho no quarteirão, nem as tevês, nem os carros, nem nada. as pessoas dormem e a chuva cai e parece que só eu estou admirando isso. mas eu estou admirando porque não é simplesmente um cair de chuva. é diferente dos outros. aqui a chuva costuma cair em gotas gorduchas, rapidamente, sem dar tempo pra ninguém notar que ela passou. e ela cai no pior horário pra apreciação: as fatídicas duas horas da tarde, que é hora do rush de volta do horário do almoço pra maioria das pessoas. hoje ela está caindo sem muita força, em gotas minúsculas, tamborilando nas folhas das mangueiras, numa noite nublada, vermelha e fria. é quase como se eu estivesse em outro lugar.
eu continuo odiando belém. não me confundam.
* hoje eu comecei a ouvir peaches. eu gosto do som dela. e baixei o cd novo do daft punk também. e acho que vou baixar o novo do basement jaxx pra saber qualé a dos caras. espero gostar.
Peahes - Fuck the Pain Away
Postado por fael às 2:02 AM |
27.3.05
fui presenteado com uma bela crise alégica de páscoa. passei um dia inteiro me ardendo em febre debaixo de um edredom, com o rosto doendo, a boca seca e as narinas ardendo. sinusite. o lado bom disso é que eu parei de fumar de vez. tentei fumar de novo hoje e não achei bom. não vou insistir, quero parar mesmo.
* ainda não consegui me concentrar pra fazer os trabalhos da faculdade. não gosto muito de matérias teóricas. vou deixar pra fazer amanhã.
* fui ao shopping hoje. nunca mais tinha estado lá. me senti meio estranho, meio zonzo. sei lá, foi esquisito.
* nada de extraordinário acontece. ou talvez aconteça, mas eu esteja cego demais pra enxergar.
* pela terceira ou quarta vez, me apaixonei pela mesma pessoa.
Keane - Sunshine
Postado por fael às 12:33 AM |
22.3.05
hoje fui assistir robôs (2005, chris wedge, carlos saldanha). ô filminho bom.
a historinha é meio clichê: robô de cidade pequena sonha em ser inventor, vai pra cidade grande conhecer o maior inventor do mundo (o grande soldador) que é dono de uma empresa gigantesca que foi tomada por um funcionário louco e malvado que resolve não produzir mais peças para robôs mais antigos forçando-os a comprarem as peças mais caras sob a ameaça de se tornarem sucata. o pobre robozinho se descobre em grandes apuros pra salvar os robôs fora de linha de serem transformados em barras de metal reciclado e conta com a ajuda de amigos para devolver o poder ao grande soldador.
o final todo mundo já adivinha. mas a animaçao é muito bem feita e vale a pena ir ao cinema pra rir um pouco das sacadas absurdas do filme.
estou empolgadão pra ir ver ainda constantine (baseado nos quadrinhos hellblazer, do neil gaiman), e é claro, o chamado 2.
Postado por fael às 12:09 AM |
21.3.05
estou há alguns dias sem comer direito. acordo sem vontade nenhuma de ingerir coisa alguma. passo o dia sem fome. na minha cabeça reverbera um só pensamento: ter de volta o amor de uma pessoa. mas não pára aí, porque, como se percebe só de olhar pra minha cara amassada, eu não sou uma pessoa normal, então eu não amo normalmente. é um amor que eu só quero quando não tenho. quase uma dependência de rejeição. eu amo demais essa pessoa, mais do que eu já amei qualquer outra pessoa antes. hoje, eu diria mais que a mim mesmo.
mas é um amor incompreensivo. a gente não se dá bem. brigamos sempre quando estamos juntos. nunca nos agredimos, mas nos magoamos sempre um com o outro. eu tento analisar, mas até agora eu não entendo bem o porque disso. já me determinei a deixar isso de lado, mas o meu inconsciente me bombardeia todos os dias só com os melhores momentos dos 7 meses que passamos juntos. não sinto atração por mais ninguém, não consigo me apaixonar de novo, até insônia eu tenho. pode até já ter acontecido com alguém, mas comigo é a primeira vez, e embora diversas pessoas me aconselhem, eu não consigo deixar isso de lado. idéia fixa.
talvez escrevendo sobre isso eu consiga sepultar de vez esse fardo sentimental. estou sob o efeito da fluoxetina, então a vontade de chorar e espernear pras coisas voltarem a ser como eram já passou. mas a dor continua alojada aqui no peito. e eu continuo sem saber como administrar ela.
semana passada eu estava bebendo e isso não pareceu ajudar. então me ocorreu que se eu ocupasse meu tempo com outras coisas, talvez os pensamentos desaparecessem. essa semana vou voltar pra análise, pra musculação, ver se consigo um horário pra natação, e meter a cara nos livros porque a primeira avaliação está chegando na faculdade. vou procurar parar de fumar (já estou sentindo uma certa aversão), me concentrar um pouco mais na minha saúde que vai bem mas podia estar melhor, ir atrás de um hobby, sei lá. me reconstruir. esquecer que eu tenho sentimentos e carências afetivas de uma vez. me remoldar pra não passar por um perregue desses de novo.
é isso aí. e vou escrever o livro, preciso pensar melhor nisso.
Postado por fael às 11:47 PM |
14.3.05
são apenas duas horas da manhã agora. estou insone e completamente entediado, ouvindo pedro the lion e assistindo "queima de arquivo", com o schwazenegger. em outras palavras, eu sou um perdedor.
não tenho nem sobre o que falar. poderia discutir o pouco que eu sei sobre freud, beethoven ou mesmo sobre haiku. mas eu sei tão pouco sobre isso que acho que nào daria nem duas linhas de assunto. então eu vou enrolar mesmo.
eu já tinha esquecido minhas vontades de sair de belém, e inclusive meu sonho de deixar o brasil de vez. mas algo esse mês fez com que eu regurgitasse isso. descobri que atribuo muito da minhas tristezas ao fato de ainda estar morando aqui. uma pessoa me perguntou qual a decisão que eu tomei que eu mais me arrependo. e eu me arrependo de não ter aceitado um intercâmbio pra outro país, quando eu tinha uns quinze ou dezesseis anos. foi algo marcante pra mim, porque foi a possibilidade de realizar um desejo quase carnal sem ter que pagar nada por isso. levando em conta que o dólar na época era praticamente um pra um real.
é estranho como toda decisão malfeita que eu tomo gruda no meu pé e me impede de fazer o que eu realmente quero. com a faculdade foi assim. eu estava completamente infeliz estudando exatas. não tinha motivação, ficava deprimido todo dia, e nada funcionava. até o dia que eu tranquei minha matrícula e larguei aquilo pela metade. fiz vestibular de novo, passei pra publicidade e estou gostando. fiquei analisando uns posts da época que eu monitorava o laboratório de informática, bem no início do blog. alguns dias eram insuportáveis. até dor física eu sentia de tão infeliz que eu era. e eu não podia simplesmente largar a faculdade, porque era particular e tinha um mundaréu de grana já gasto na época. além da vantagem de se ter um diploma de ensino superior aos 21 anos. tranquei mesmo, sem dó. matei o que estava me matando. problema resolvido, estou parcialmente aliviado.
o grude no meu pé agora é essa cidade úmida. não saio de belém já faz uns seis ou sete anos. a não ser pra ficar três dias na praia em salinas, mas, de uns tempos pra cá, o último lugar que eu quero estar é numa praia (o que tem demais numa praia?). eu quero sair daqui e ganhar o mundo. criar asas nos pés e correr o mundo todo, conhecendo e experimentando tudo o que tiver nele. preciso adquirir essa cultura porque é o que me fascina, e belém não provê o suficiente pra acabar com a minha fome. já chega de ficar lendo coisas na internet, nos livros, nas revistas. eu quero viver, não apenas saber.
em resumo, a vida em belém não é atraente, ela me empata de todas as formas possíveis, me reduz e comprime de formas impressionantes. tudo o que eu queria era um apartamentinho em uma cidade maior, com uma janelinha, um gato e um livro de cabeceira diferente toda noite.
Postado por fael às 2:44 AM |
nada como um dia após o outro para nós percebermos nossos erros.
o meu foi nascer, e o seu?
Postado por fael às 1:53 AM |
eu acho que amor nenhum pode ser algo sóbrio. aquele negócio de regras, divisões, parâmetros, nada disso. amor é loucura. querer e não querer ao mesmo tempo. empatia, confidências, amizade. só ama realmente aquele que consegue entender o verdadeiro significado que existe atrás das palavras "eu te amo". o verdadeiro amor não é aquele que prende, que maltrata, que cobra e depois esnoba. mas sim aquele que é livre dentro de si mesmo, quase paradoxal, louco e abobalhado, embriagado de sua própria essência.
e isso é o que as pessoas não entendem sobre o amor. claro que cada um enxerga as coisas como lhe convém, mas o amor de verdade não é uma conveniência.é um acontecimento que se repete o tempo todo. principalmente no mundo urbano caótico que nós vivemos, onde todos estão tão próximos uns dos outros. é comum as pessoas se perderem umas nas outras sem sequer se amarem de verdade. elas se sentem mais carentes que o normal, porque se comparam umas com as outras o tempo todo.
sei lá. acho que é isso mesmo.
Postado por fael às 1:50 AM |
9.3.05
tenho reavaliado um bocado a minha situação esse ano. eu finalmente estou de bem com a faculdade, estou sem emprego, mas feliz por estar galgando os degraus certos dessa vez. as monções familiares pararam e agora tudo são nuvens brancas em um céu bem azul.
o problema agora é o coração, que tá boiando em água de privada. não sei se eu dou a descarga ou se levo pra análise no laboratório.
Flaming Lips - In the Morning of the Magicians
Postado por fael às 12:41 AM |
3.3.05
razão, emoção e instinto. são atributos com os quais todos nós nascemos, mas temos um certo problema em administrar. hoje é um dia péssimo. me sinto confuso demais até mesmo pra enfrentar a rua de casa. os olhares das pessoas, tentando ler o que não pode ser lido ou comunicado. hoje eu finalmente caí em mim e percebi que há muito, minha alma me abandonou. deixou pra trás apenas uma carcaça, uma figura humana de papier-machè, feita de selos e folhas de revistas.
cuidado comigo. não se aproxime muito, porque por trás dessa aparencia simpática existe um monstro insensato, incapaz e confuso. eu faço mal, eu sou o mal. estou destinado a uma solidão sem precedentes na história humana: cercado por todos, consciente de uma doença que eu tenho e ainda não me curei, e mesmo assim sozinho e abandonado, por mim mesmo, pela minha alma e por meus princípios inexistentes. o vazio que já existia, aumentou. meu único alimento são meus pensamentos derrotistas e as atitudes sem sentido que eu tenho a todo momento.
a escuridão dos próximos dias vai acabar com esse pesar todo, disso eu tenho certeza. vou me curar pelo lado contrário. da forma menos convencional. vou ser complacente com meus sentimentos ridículos e minhas palavras idiotas. me afogar no desespero e na ansiedade. na falta de esperança.
no escuro.
mas eu vou sobreviver. ninguém morre de amargura.
The Cardigans - Junk of the Hearts
Postado por fael às 5:48 PM |